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Terra Blog

13.09.07

As lendas em um contexto globalizado.

Bem como a religião, os mitos são a principio, a fonte de conhecimento de uma determinada sociedade, a fim de esclarecer fatos comuns dentro da mesma. Desta forma são tidos como base da cultura de um povo, pois contam suas histórias e origens. No entanto não passam muitas vezes de pretextos para que um determinado indivíduo se sobre saia de uma situação desfavorável e sejam tomados por vitima, exemplos comuns decorrem nos interiores de vários estados pelo Brasil, que contam as mais diversas estórias. Porém, essa nova origem dos mitos esta associada principalmente a um processo quase despercebido por esse meio, a globalização, através das novas formas de socialização do homem globalizado e a relação antagônica: homem e natureza modificaram ferozmente a cultura dos mitos paraenses.

Tido como exemplo a primor Dida civilização amazônica, onde a principio os mitos eram utilizados apenas para tentar explicar a origem daquele povo e de tudo ao seu redor. Observamos uma alteração nesse padrão ao passo que os colonizadores, por meio da globalização, começam a interagir e modificar a cultura dos nativos, impondo novas situações de vida e crenças, tornando-os através disso um novo homem europeu, aos moldes brasileiros. Este novo povo, formado a partir da segregação européia, visa de modo geral apenas seus próprios benefícios afim de uma vida mais confortável ou apenas explicar um erro cometido sem assumir as responsabilidades, chegando a tal ponto de se fazer o uso da ingenuidade alheia. Tal prova destas façanhas populares é a presença de um grande mito na região norte, popularmente conhecido como lenda do boto, mas também chamado UAUIARA, o qual consiste resumidamente, na sedução de belas moças, cablocas e ou índias por um ser sobrenatural, um boto ao qual é atribuído o poder de se transformar em humano, sempre no intervalo de uma noite até pouco antes do amanhecer, este ser é caracterizado pelo porte sedutor e charmoso com o qual seduz as belas moças, que logo rapidamente dormem com o mesmo e ficam por seguinte, grávidas. Desta forma, nos interiores amazônicos e principalmente pelo Pará, sempre que uma moça solteira aparenta estar grávida, atribuísse a paternidade ao boto, no entanto essas afirmações e alegações de paternidade são apenas uma tentativa grotesca de a jovem ou ainda seus familiares não passarem por um constrangimento maior e deste modo percebe-se o uso de um bem cultural para o fim benéfico, uma vez que com a presença da globalização as pessoas perderam a noção do antigo regime de bom senso, a responsabilidade de ser pai, mãe e asumir seu desleixo.

A relação homem e natureza são ao longo dos tempos uma inconstante variável, passando a principio de exalação para destruição, deste modo é destacável a mudança dos povos ante as florestas e seus animais, posteriormente ao contato cultural com os europeus e ao longo da disseminação da globalização, seguida do capitalismo. Partindo do conceito em que os povos pré-cambrianos da região do Pará se usavam dos mitos para explicar alguns acontecimentos na floresta, tal como sua própria origem, ao exemplo da lenda do guerreiro tupinambá que fora enviado para caçar o tatu gigante, animal de estimação de um titã, assim para garantir a volta de seu animal, o titão impediu o guerreiro de voltar sem o animal, essa lenda explica a importância da caça para a sobrevivência da população. Atualmente a caça não tem mais o objetivo de subsistência e sim de lucro, assim vários mitos começam a ter origem por entre os caçadores burgueses, lendas de protetores e justiceiros são formadas para justificar fatos trágicos em meio ao perigoso trabalho de caça, de modo geral, a figura dos tais proteros tem fisionomia bem definida, caboclo de cabelos longos, corpo forte, disposto e jovem. As lendas dizem sempre a respeito da motivação do protetor em ajudar os animais e a punir com castigos e maldições os malfeitores, é de se refletir e imaginar a existência dessas lendas caso não se fizesse o uso da caça.

Em linhas gerais, a globalização tem grande poder em alterar fatos e sabedorias populares, através de sua forte influência na cultura, uma vez sendo associada ao dinheiro, transformando assim um antigo regime, com alicerces explicativos e subjetivos em uma via alternativa, para livrar-se de um fardo.

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